sábado, 10 de dezembro de 2011

QUANDO SE PERDE A ALMA…

QUANDO SE PERDE A ALMA…

Quando você chama Orestes Quércia de ladrão de carrinho de pipoca e depois pede e recebe o apoio dele;
Quando você passa a vida chamando Paulo Salim Maluf de tudo quanto é nome, e depois incorpora o partido dele à sua base de apoio no Congresso;
Quando você inferniza o governo José Sarney e toda a herança dele,inclusive a candidatura de sua filha à Presidência, e depois o transforma em um sábio conselheiro de seu governo;
Quando você diz o diabo de Antonio Carlos Magalhães e depois aceita o apoio dele;
Quando você ataca feroz e vigorosamente a política econômica do seu antecessor, e depois pratica política idêntica;
Quando você sataniza toda a sua vida o Fundo Monetário Internacional e depois aplica condições (não pedidas) ainda mais draconianas para o acordo com o ex-Satã;
Quando você passa a vida ensinando aos outros quais são as políticas sociais certas, e depois não consegue fazer a política social certa, a ponto de ter que demitir, em apenas um ano, dois dos responsáveis por elas.
Quando você se alia aos antigos inimigos e expulsa antigos companheiros cujo único crime foi o de continuar defendendo o que você defendia até a véspera;
Quando você faz campanha eleitoral prometendo mudança e inicia o discurso de posse com uma única palavra (exatamente "mudança") e depois muda muito pouco ou nada.;
Quando você faz tudo isso, você rifou seus princípios, vendeu a sua história e tornou-se um ser amorfo, sem alma, sem projeto, a não ser o projeto de permanecer no poder. Enterra o orgulho pela história já vivida, porque não pode permitir que investiguem a sua nova história. Nem você mesmo sabe se existe ou não "conduta irregular" de um funcionário seu, como admite agora até o seu líder no Senado, Aloísio Mercadante. Enfim, tem de jogar o jogo como quase todos jogaram antes de você. E fracassaram. Temo que seja tarde para voltar atrás e re-reescrever a história e que um filme velho e triste está sendo reensinado com novo elenco.


sábado, 3 de dezembro de 2011

O licenciamento obrigatório e o licenciamento provisório ???


O licenciamento  obrigatório sem questionamentos


A safadeza do licenciamento obrigatório, com data marcada para ser concedido, com base nas audiências policiadas, e na “ ausência de questionamentos”

De Oswaldo Sevá
O EIA – Estudo de Impacto Ambiental é uma exigência da legislação ambiental desde 1986, quando a Resolução 01 do Conselho Nacional de Meio Ambiente assim especificou, para todas as obras que contivessem um significativo potencial de degradação do meio. O próprio ritual de concessão de Licença Ambiental é matéria constitucional, no artigo 225 da Constituição Federal de 1988. Parece que as empresas não se conformam com isso, e brigam de todo jeito para eliminar essa exigência, ou , como ainda não conseguiram, pressionam para que a Licença seja concedida de qualquer jeito, o mais rápido possível, para qualquer projeto que elas – empresas – ou o governo imagine. A situação é tão absurda quanto se os cidadãos que pretendem dirigir veículos brigassem contra a obrigatoriedade de exame para a concessão da Carteira de Habilitação, ou se pressionassem para que a Carteira seja concedida para todo e qualquer candidato, o mais rápido possível. No caso do projeto Belo Monte, a elaboração do EIA que agora está sendo submetido ao IBAMA começou em 1998, através da assinatura de um convenio de alguns milhões de reais da Eletronorte com uma Fundação dessas que intermedia consultorias para grupos de professores dentro das universidades, no caso a Fadesp, vinculada à Universidade Federal do Pará. Segundo entendia o Ministério Publico Federal, o convenio era ilegal e foi devidamente bloqueado por uma Ação Civil Pública em 2001. [mais detalhes no capitulo de Jane Beltrão e Felício Pontes no livro Tenotã Mõ, 2005]
Os estudos continuaram sendo feitos “caseiramente” na própria Eletronorte, que em 2003, contratou pesquisadores de outra universidade, a Universidade de Brasília, do Centro de Desenvolvimento Sustentável, gente de confiança do então Ministro da Educação Cristovam Buarque, e em seguida contratou uma empresa de consultoria chamada E-labore. Ambos os grupos de intelectuais e pesquisadores externos à região fizeram boa parte do “serviço sujo”: ao mesmo tempo identificando as lideranças, mapeando grupos resistentes e questionadores do projeto, e produzindo as maquiagens da “inserção regional do empreendimento”, dando o lastro para a cooptação dos políticos municipais, através da criação do fantasmagórico “Consórcio Belo Monte”. Depois, todo o espólio passou para as mãos da Eletrobrás, embora muita gente continue acreditando que o projeto “é da Eletronorte”.
Não por acaso, essa estatal passou a ser apelidada em Altamira, de “EletroMorte”, e o seu pimpolho, de “ Belo Monstro”.
Em 2005, - ao mesmo tempo em que estávamos lançando o livro “Tenotã Mõ” já mencionado, um verdadeiro compendio sobre os principais aspectos dos projetos de usinas no rio Xingu, até então desconhecidos, omitidos e falseados, - o governo federal fazia um enorme esforço para tornar o projeto legalizado, ou seja, para contornar de algum modo o artigo 231 da Constituição Federal, que obriga os aproveitamentos hidráulicos e minerais afetando terras Indígenas a terem autorização do Congresso, além de consultar os indígenas afetados.
Em maio, a então Ministra das Minas e Energia, hoje presidente,  anunciava para seus empresários preferidos, do setor de equipamentos pesados, mais dois factóides: de que o projeto podia ser licitado no ano seguinte – a tal mentalidade de tirar a Carteira de habilitação de qualquer modo – e, de que o enorme investimento poderia ser seccionado, como se fosse uma minhoca, em dois pedaços iguais: “ Dilma Roussef, disse,  naquela época, que o governo federal pretendia licitar já em 2006 as concessões da Usina Belo Monte e de hidrelétricas do Rio Madeira. "Estamos, neste momento, formatando o projeto da Usina Belo Monte para enviá-lo ao Congresso", comentou Dilma, que participou do seminário "Financiamento da Expansão do Setor Elétrico", realizado pela Associação Brasileira de Infra-Estrutura e Indústrias de Base (Abdib), em São Paulo. A expectativa da ex-ministra é de que pelo menos a primeira etapa do projeto de Belo Monte, com cerca de 5.500 megawatts (metade dos 11.100 megawatts planejados), poderia ser licitada no ano seguinte. [Extraído de “ Dilma: Belo Monte e usinas do Rio Madeira devem ser licitadas” Tribuna da Imprensa, RJ, 03.05.2005 ]
De EcoDebate<http://www.ecodebate.com.br/ 14/10/2009

BELO MONTE - UM MONTE DE MENTIRAS

Tem algo de muito errado no projeto da usina Belo Monte, provavelmente trata-se de uma mentira energética das grossas: parece que decidiram colocar um motor de Formula-1 num carro comum de passeio. Se concretizarem a besteira, várias maquinas enormes, de 550 MW cada uma, com turbinas que engolem mais de 600 mil litros por segundo ficarão paradas por vários meses, e pode acontecer de não haver água suficiente para virar nenhuma máquina!
Quando a história mal contada começou a ser descoberta, aí o “pai da criança”, engenheiro Muniz Lopes inventou outra, para desviar o foco: a usina Belo Monte ficaria ligada no Sistema Interligado Nacional e haveria uma compensação desse período muito seco no Xingu, por que o período do ano seria o oposto do período seco nos demais rios brasileiros. Ora, o Xingu nasce no mesmo Planalto Central que os rios Tocantins, São Francisco, e boa parte dos formadores do Paraná, e todos eles enchem de novembro em diante até março/abril e depois esvaziam. Pode sim, existir uma diferença de, no máximo um mês e pouco, por exemplo, em relação ao rio Iguaçu ou ao rio Uruguai, que nascem na Serra do Mar e passam por uma região mais próxima do Oceano. Agora “períodos opostos” entre os ciclos hidrológicos do Xingu e dos demais rios brasileiros é outra mentira, propalada pelos mentirosos de sempre !
Qual a destinação prevista da energia elétrica a ser ali produzida? Eis a pergunta óbvia que qualquer cidadão interessado faz. As respostas variam conforme a ocasião. Em 2001, quando ressuscitaram o projeto, diziam que era a fórmula salvadora contra o apagão. De lá para cá, continua sendo, “para evitar um novo apagão”. Mas dizem também que seria para garantir a futura expansão econômica brasileira, para gerar empregos na Amazônia, para desenvolver todo o pais para sempre, etc.
Entretanto, quase nunca deixam escapar que a eletricidade, que seria farta e barata, seria destinada para a ampliação aqui, no Pará, da industria mineral-metalúrgica internacional, devoradora de energia. Para aqueles brasileiros que ainda acham que na economia da Amazônia só pesam a madeira de lei, o gado, a soja, é bom registrar que já estão instaladas ali por perto do projeto Belo Monte, entre o leste do Pará e a metade Oeste do Maranhão: a maior mina de bauxita do mundo (MRN, em Oriximiná) e está sendo aberta a segunda maior (Jurutis, perto de Santarém), a maior fabrica de alumina, Alunorte, na região de Abaetetuba, no baixo Tocantins, as duas maiores fundições de alumínio, a Albrás também em Abaetetuba e a Alumar, na Ilha de São Luis, Maranhão, mais a maior concentração de grandes minas metálicas do mundo atual, nas Serras de Carajás: minérios de ferro, de cobre, de manganês, de níquel, industrias de concentração de cobre e de níquel, alem de médias siderúrgicas, que fazem ligas de ferro com outros metais, e os pequenos fornos de ferro-gusa. Quase todas essas empresas são estrangeiras ou de maioria estrangeira, quase toda essa produção é exportada, a preços bem vantajosos, para os chineses, japoneses, europeus e norte-americanos. Tudo isso consome muita eletricidade vinda pelos linhões da usina de Tucuruí.
É isso que se pretende multiplicar por três, quatro vezes, em pouco tempo, e para isso serviria a eletricidade do Belo Monte. Ao concretizar esses planos dos grandes trustes mundiais da mineração e metalurgia, também se garante a continuidade das rendas e do poderio da máfia comandada pelo ex-presidente Sarney, de seus filhos, de sua filha e seu genro e mais uma dúzia de apadrinhados, como o Ministro Lobão e o presidente Muniz Lopes da Eletrobrás.
“Honoráveis bandidos”. Foi o titulo escolhido pelo jornalista Palmério Dória para o livro que lançou em Setembro de 2009 sobre essa máfia, cuja alavanca principal é o dinheiro público, como lemos nas páginas 47 e 45 desse livro: “Quando foi criado o programa Grande Carajás, com jurisdição sobre o Pará e o Maranhão, criou-se também um mecanismo de incentivo fiscal que permitiu à Camargo Correa em vez de pagar imposto sobre esse superlucro ( da construção de Turucuí e outras grandes obras na região) , aplicar no projeto Alumar, na ilha de São Luis. O truque beneficiou a principal controladora da empresa, a (norte-americana) Alcoa, que não precisou botar dinheiro no negócio... A Alumar recebeu um contrato de energia semelhante ao da Albrás, fazendo jus a um desconto bem camarada. O valor do subsidio, de 2 bilhões de dólares permitiria comprar uma fábrica nova.” Ao entrevistar um historiador maranhense, o autor do livro registra o depoimento esclarecedor: “Todos os contratos, de 20 anos de duração, da Alumar que movimenta 430 milhões de dólares anualmente foram negociados por agentes de Sarney...Quando a Alumar anunciou a última expansão dela aqui em 2007, o anúncio da empresa foi na casa de Sarney. Fizeram uma festa lá na residência do chefe oligarca, na Praia do Calhau, pra dizer que a Alumar prestigia a família e agradece por seus honrados serviços.” [“Honoráveis Bandidos – um retrato do Brasil na era Sarney”, da Geração Editorial:São Paulo, 2009] –
O grande empecilho, no caso do projeto Belo Monte, que tinha “tudo para dar certo” não é ambiental , nem os índios, como diz a imprensa propositadamente, e sim as contas: quando começam a fazê-las, aí a mentira apareceu de novo. Por exemplo, desde 1980 lá no CNEC e no primeiro Inventário Hidrelétrico do rio Xingu afirmavam que o custo de investimento da primeira usina, a antiga Kararaô estava na faixa de 350 dólares por kilowatt instalado, enquanto na segunda usina projetada, Babaquara seria de mais de 900 dólares por kW instalado. Para comparação, sabemos que Tucuruí custou pelo menos dois mil dólares por kW instalado. Vejamos, para confrontar com este alegado “baixo custo” de Belo Monte, alguns números típicos recentes: em 2003 foi inaugurada Itapebi, uma hidrelétrica de porte médio, num rio bem menor (Jequitinhonha, no Sul da Bahia), com um canteiro de obras que fica na beira do asfalto da BR-101, a poucas horas de caminhão das fábricas de aço, de cimento, de equipamentos, de dois grandes portos marítimos (Vitória e Ilhéus). Essa usina, bancada com capitais do fundo de pensão Previ e do grupo europeu Iberdrola, tem uma única barragem convencional, uma represa com área de 60 km2; foram instalados 450 Megawatts, com um custo de investimento da ordem de 500 a 550 dólares por kW instalado.
Quando em 2008, começaram a acelerar os preparativos para licenciar Belo Monte e colocar a energia futura em leilão, diziam que o investimento total para uma usina com capacidade de 11 mil Megawatts seria de 7 bilhões de reais. Ou seja, aproximadamente 3,5 bilhões de dólares, o que daria, grosso modo, o mesmo índice de vinte anos atrás, 350 dólares por kW! Como é possível o projeto Belo Monte ter um índice de investimento mais barato do que Itapebi, ficando onde fica, longe de quase tudo, ligado por estradas péssimas e por um longo trajeto fluvial ao restante do país, e com tantas características distintas de uma obra convencional ??? É a mentira, de novo!
Ninguém sabe o custo provável e justificado de Belo Monte, essa é a realidade! Vejamos a noticia do caderno de Economia de um dos mais importantes jornais: “Mais do que questões ambientais, uma queda-de-braço entre governo e setor privado pode se tornar o principal empecilho para que a usina de Belo Monte, no Pará, saia do papel. Enquanto o Ministério de Minas e Energia estima que o custo da obra gira em torno de R$ 16 bilhões, os empresários asseguram que o empreendimento vale, no mínimo, R$ 30 bilhões. Esta discrepância foi demonstrada em reunião, ontem, entre o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, e representantes das associações brasileiras das indústrias de Base (Abdib), de Máquinas (Abimaq) e Eletroeletrônica (Abinee). Segundo um dos presentes, o novo valor da usina "chocou" os empresários. Eles alertaram que a discrepância de preços torna mais difícil a elaboração de uma equação financeira, para que finalmente a data da licitação de Belo Monte seja marcada – [ extraído de O Globo, 29/7/09, Economia, p.23].

UNICAMP NA DIANTEIRA

Em sua primeira participação no Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior(Sinaes), instrumento instituído em 2004 peloMinistério da Educação (MEC) para aferir a qualidade dos cursos de graduação e o desempenho acadêmico dos estudantes, a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) foi apontada como a melhor universidade pública do país. De acordo com o Índice Geral de Cursos (IGC) gerado pelo processo avaliatório, a instituição obteve conceito 4,69, dentro de um índice que varia de zero a cinco. As notas de três a cinco significam desempenho satisfatório e as de um a dois, insatisfatório. 
Ao todo, foram examinadas 2.176 escolas de ensino superior, sendo 229 públicas e 1.947 privadas. Para formular o ICG, o MEC leva em consideração as condições de ensino, em especial as relativas ao corpo docente, às instalações físicas, ao projeto pedagógico e às notas dos alunos no Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes(Enade).

A liderança da Unicamp no ranking estabelecido pelo MEC decorre da execução de uma série ações voltadas ao aperfeiçoamento das atividades nas áreas de ensino, pesquisa e extensão. As iniciativas envolvem desde investimentos em obras físicas, como construção e remodelação de laboratórios e salas de aula, até o desenvolvimento de programas de incentivo à mobilidade internacional de estudantes e professores, passando pela atualização dos currículos de cursos, entre outras. O pró-reitor de Graduação, professor Marcelo Knobel, lembra que a participação da Unicamp no Sinaes foi precedida de um longo processo de discussão. Inicialmente, a Universidade decidiu não participar da avaliação por considerar que algumas questões não estavam bem resolvidas.

A partir de 2009, porém, os debates em torno da eventual participação da instituição no Sianes foram retomados. "Nós criamos um Grupo de Trabalho, que fez uma série de reflexões. Isso gerou um relatório, que foi posteriormente discutido nas unidades de ensino e pesquisa e nos órgãos colegiados. Ao final das discussões, entendemos que seria importante para a Universidade se submeter à avaliação, inclusive porque, dessa forma, poderíamos contribuir de maneira mais efetiva, por meio da apresentação de críticas e sugestões, para o aperfeiçoamento do processo", explica. Knobel observa que apesar de a mídia dar mais destaque à nota do Enade, ela é somente um dos pontos analisados pelo MEC para a definição do IGC. Sobre esse assunto especificamente, o pró-reitor de Graduação lembra que houve um boicote parcial por parte de alunos de alguns cursos, que se negaram a fazer a prova.

Tal postura, prossegue Knobel, também gerou um debate interno muito positivo sobre a validade desse tipo de exame. "Tanto eu quanto assessores da Pró-Reitoria de Graduação participamos de diversos debates e mesas-redondas sobre o tema, que geraram reflexões muito interessantes. Quanto ao resultado do Sinaes em si, ele nos enche de orgulho". O pró-reitor de Graduação ressalta que o bom desempenho alcançado pela Unicamp no ranking do MEC está relacionado a um conjunto de ações e programas. Ele destaca, por exemplo, o papel do vestibular, que promove uma seleção rigorosa dos alunos de graduação -- no atual certame, são 61 mil candidatos para 3.200 vagas. Ou seja, apenas os melhores estudantes têm condição de ingressar na Universidade.

O mesmo ocorre em relação a professores e funcionários, que também são contratados depois de criteriosos processos seletivos. "Além disso, estamos investindo fortemente em algumas áreas, entre as quais a de infraestrutura. Nos últimos dois anos, lançamos editais no valor de R$ 8 milhões para oferecer melhores condições ao ensino de graduação. Fora isso, oferecemos inúmeras formas de apoio aos estudantes, como a concessão de bolsas moradia, pesquisa, alimentação etc. E ainda executamos diversos programas para valorizar a atividade docente e estimular a mobilidade internacional de alunos e professores. Combinadas, essas ações fazem com que a Universidade esteja sempre em busca da excelência para as suas diferentes atividades", analisa Knobel.

FRONTEIRA DO CONHECIMENTO

O pró-reitor de Pesquisa, professor Ronaldo Aloise Pilli, raciocina na mesma linha. Segundo ele, a Unicamp sempre valorizou, desde a sua fundação, há 45 anos, o binômio ensino e pesquisa. "Nós acreditamos que o ensino de boa qualidade, seja o de graduação, seja o de pós-graduação, não pode vir dissociado das atividades de pesquisas que estejam na fronteira do conhecimento. Isso exige, evidentemente, bons estudantes e bons professores. Nesse sentido, nós temos cuidado com particular empenho da renovação do quadro docente da Universidade", afirma. Além disso, continua Pilli, a Pró-Reitoria de Pesquisa oferece um programa denominado Papdic [Programa Auxílio à Pesquisa para Docente em Início de Carreira], cujo objetivo é favorecer a implantação de grupos de pesquisa por parte de jovens docentes. No último ano, 76 deles foram beneficiados com a medida.

Na prática, isso significa que o professor recém-contratado que conseguir ter um projeto seu aprovado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) pode pleitear recursos por parte da Unicamp da ordem de R$ 40 mil. "Desse dinheiro, R$ 12 mil devem ser utilizados para investimento em laboratório e em participação em congressos no exterior. O restante é para ser aplicado numa bolsa de mestrado por um período de dois anos", pormenoriza o pró-reitor de Pesquisa. Ademais, esse jovem docente também pode solicitar até quatro bolsas ao Programa de Iniciação Científica mantido pela Unicamp. "Com isso, ele já pode estruturar o seu grupo de pesquisa. Trata-se de um diferencial importante, pois outras universidades, também qualificadas, dificilmente oferecem esse tipo de apoio", reforça Pilli.

Outra política destacada pelo pró-reitor de Pesquisa é a que apoia a vinda de professores estrangeiros para atuarem juntos aos programas de pós-graduação. A iniciativa conjunta da PRP e PRPG financia a viagem, hospedagem, seguro-saúde e pró-labore do visitante, que permanece na Unicamp por até 60 dias. "Também financiamos a ida de nossos professores e pós-graduandos para as instituições parceiras no exterior, como forma de proporcionar-lhes maior experiência internacional", afirma Pilli. No que toca à infraestrutura, o dirigente informa que a Universidade destinou até o momento R$ 12 milhões dos recursos orçamentários para a readequação de laboratórios de pesquisa. O dinheiro é aplicado em obras físicas e modernização dos sistemas elétrico, hidráulico e de climatização.

Embora todas essas ações provoquem impacto positivo no desempenho da graduação, visto que ensino e pesquisa são indissociáveis, o pró-reitor de Pesquisa considera que um dos programas que mais contribui para qualificar esse nível de ensino é a iniciação científica. Ao tomarem contato precocemente com os métodos de investigação, os estudantes ampliam o conhecimento adquirido em sala de aula e ganham maturidade. "A iniciação científica traz ainda outros ganhos. Normalmente, os alunos que participam do programa têm um desempenho melhor na graduação e concluem em menor tempo a dissertação de mestrado. Além disso, o programa contribui para reduzir a taxa de evasão, visto que os estudantes se tornam muito mais motivados". O último Congresso Interno de Iniciação Científica da Unicamp, que completou 19 edições, contou com a participação de 1.300 trabalhos de todas as áreas do conhecimento. Destes, 20 foram escolhidos por um comitê externo, formado por bolsistas de produtividade do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) como os melhores do evento. Os autores receberam um prêmio de R$ 3 mil, mais ajuda de custo (viagem e hospedagem) para apresentar seus estudos na próxima reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que ocorrerá em São Luís, capital do Maranhão, em julho de 2012.

Conforme Pilli, o desempenho da graduação da Unicamp na avaliação do MEC é consequência da conjugação desses e de outros fatores. "Nós temos a melhor média nacional da pós-graduação, segundo aCapes [Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, órgão do MEC). Temos também a melhor média de publicações per capita do Brasil e somos a Universidade com o maior número de patentes depositadas. Todos esses elementos nos permitiam imaginar que a graduação poderia ter um bom desempenho, visto que todas essas áreas funcionam como vasos comunicantes. Se uma instituição não tem uma boa graduação, é pouco provável que tenha uma pós de qualidade. Além disso, boa parte das atividades de pesquisa de uma universidade como a Unicamp é feita pelos pós-graduandos. Então, para mim soa natural que a graduação seja bem avaliada. Evidentemente, o fato de termos ficado na primeira posição nos orgulha muito".

Instado a lançar o olhar para o futuro, o pró-reitor de Pesquisa pensa que o principal desafio da Unicamp nos próximos anos é investir cada vez mais na qualificação das atividades ensino, pesquisa e extensão. "Em minha opinião, a Universidade dificilmente conseguirá ampliar significativamente o seu quadro discente, sob o risco de perder qualidade. Assim, penso que a nossa missão será aperfeiçoar nossas competências. Uma boa maneira de fazer isso é olhar para as unidades de ensino e pesquisa que já alcançaram um padrão de excelência internacional e aproveitarmos essa experiência para qualificar aquelas que ainda não atingiram o mesmo patamar. Além disso, temos que continuar selecionando os melhores alunos e docentes e adotar políticas que simplifiquem procedimentos em todos os níveis, de modo a tornar a gestão mais eficiente".

INTERNACIONALIZAÇÃO

O pró-reitor de Pós-Graduação, professor Euclides de Mesquita Neto, enfatiza igualmente os avanços proporcionados às áreas de ensino e pesquisa pelos investimentos em infraestrutura. "Na Unicamp, a pesquisa é feita com a participação da pós-graduação. Assim, quando aprimoramos a infraestrutura da pesquisa, estamos melhorando também a de pós. Indiretamente, isso ainda traz benefícios para a graduação, uma vez que esse nível de ensino não está apartado das demais áreas", explica. O dirigente chama a atenção para a ênfase que Administração Superior tem dado ao processo de internacionalização, ação classificada por ele como fundamental para elevar a Unicamp à categoria de universidade de classe mundial.

Dentre as iniciativas já adotadas nesse sentido, Mesquita Neto cita a versão em inglês e espanhol do site da Universidade, o que garante maior visibilidade às atividades da instituição no exterior. "Também criamos disciplinas junto à DAC [Diretoria Acadêmica] que permitem que alunos de graduação e pós-graduação entrem ou saiam daUnicamp a qualquer momento para participar de programas de mobilidade internacional. Temos feito diversas visitas a instituições estrangeiras com o objetivo de estabelecer colaborações estratégicas que permitam novos intercâmbios de estudantes e professores. Além disso, nos últimos três anos um de nossos programas investiu perto de R$ 1 milhão para apoiar 69 propostas de ida de docentes ao exterior, acompanhados de um doutorando ou pós-doutorando".

Em relação às recentes e futuras medidas voltadas à qualificação do ensino e pesquisa, o pró-reitor de Pós-Graduação expõe que uma das definições tiradas da Avaliação Institucional 2004/2008 foi a construção de um conjunto de prédios para fortalecer a infraestrutura da área de humanas. Edital nesse sentido já está sendo lançado. "Além disso, estamos elaborando também uma chamada para a criação de um conjunto de laboratórios para o uso de múltiplas unidades e dando prosseguimento ao processo de renovação do quadro docente. O esforço é no sentido de repor pelo menos 50 professores ao ano. Para atrair interessados de todas as partes do mundo, estamos permitindo que o concurso seja feito em inglês", destaca Mesquita Neto.

Quanto à avaliação do MEC, o dirigente considera que ela é o resultado de um planejamento que vem sendo executado desde a fundação da Unicamp, mas que ganhou nova dimensão a partir do advento da autonomia universitária, em 1989. "Atualmente, a Universidade tem dois terços do seu quadro docente com doutorado ou pós-doutrado no exterior, 98% com o título mínimo de doutor, 90% com dedicação integral à carreira e 90% participando das atividades de pós-graduação. Tudo isso sem dúvida contribui para o êxito da graduação". Sobre o futuro, Mesquita Neto pensa que a instituição tem por tarefa aprofundar o processo de modernização da sua infraestrutura, consolidar cursos e espaços inter e multidisciplinares, ampliar o grau de internacionalização e seguir fortalecendo o programa de estágio docente, entre outras medidas.

OBRAS

No que diz respeito à infraestrutura física dos campi em Campinas, Limeira e Piracicaba, apenas nos últimos dois anos, os investimentos em obras chegaram a R$ 106 milhões. Ao todo, entre construções, reformas, benfeitorias e serviços de conservação, foram realizados no período 45 mil metros quadrados de obras físicas. Dessas, 14 mil metros quadrados referem-se a edificações novas ou ampliações, 8,6 mil metros quadrados a reformas e 22,5 mil metros quadrados a obras de infraestrutura.

"Já há alguns anos a Unicamp vem dando uma atenção especial à infraestrutura física, que tem impacto importante nas atividades de ensino e pesquisa", diz o pró-reitor de Desenvolvimento Universitário, Paulo Eduardo Rodrigues da Silva. Entre as principais obras executadas nos últimos dois anos, destacam-se as reformas das salas de aula do Ciclo Básico II e das salas de aula do Instituto de Estudos da Linguagem (IEL), a construção dos edifícios da pós-graduação da FCM, e do edifício para o Centro de Estudo do Petróleo (Cepetro) e Núcleo Interdisciplinar de Planejamento Energético (Nipe). Parte significativa dos investimentos relaciona-se ao Instituto de Artes (IA), cuja produção acadêmica tem forte expressão no País. São ao todo 13 projetos, totalizando investimentos da ordem de R$ 12 milhões.

Ainda na área de infraestrutura para as atividades de ensino e pesquisa, o Sistema de Bibliotecas da Unicamp (SBU) recebeu nos últimos anos o aporte da ordem de R$ 9,2 milhões, destinados pelo Programa FAP-Livros, mantido pela Fapesp. Os recursos permitirão a aquisição de mais 75 mil livros até o final de 2011, a maioria editada no exterior. Com a chegada desses títulos, a universidade deverá se aproximar da marca de um milhão de volumes impressos disponíveis. Atualmente, o SBU soma 846.553 unidades, sem contar os mais de 252 mil e-books [livros eletrônicos].

Outra ação importante no período foi a instalação de um novo software de gerenciamento do catálogo bibliográfico do SBU, a Base Acervus. O novo dispositivo proporcionou uma melhor gestão dos acervos realizado pelas bibliotecas, bem como maior agilidade no oferecimento de novos serviços à comunidade acadêmica, entre eles a renovação de livros on-line, realizada com a senha individual do usuário. Esse novo serviço possibilitou que a comunidade acadêmica realizasse, em 2009 e 2010, mais de 900 mil ações de renovação e reserva de materiais bibliográficos via Web.

FONTE

Jornal da Unicamp
Assessoria de Comunicação e Imprensa da Unicamp
Manuel Alves Filho - Jornalista

sábado, 26 de novembro de 2011

Representantes do povo Ignoram o povo

77% dos congressistas ignoram e-mails de eleitores

Só 25% têm sites e publicam comentários de internautas...

...pesquisa mostra Câmara e Senado distantes do mundo online.


Extensa pesquisa feita pela agência digital Medialogue sobre como os senadores e os deputados federais se comportam na internet mostra que a maior parte do Congresso Nacional ainda vive num mundo analógico.

Foi realizado um teste: cada senador e cada deputado recebeu um e-mail com perguntas sobre como encontrar mais informações sobre o seu trabalho na internet, como gastos de gabinete, agenda oficial e outros endereços de contato.

Dos 81 senadores, apenas 11 (14% do total) se dispuseram a dar alguma satisfação. Dos 513 deputados, só 124 (24% do total) responderam. Ou seja: dos 594 políticos que compõem o Congresso Nacional, 77% ignoram mensagens de interessados em seu trabalho.




Fernando Rodrigues

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Safrinha do milho: a nossa salvação

Sem a safrinha, a carência seria de 13 milhões de toneladas de milho


O que fazer com a produção de milho safrinha? Hoje, o conceito de segunda safra de milho já se consolidou e o termo safrinha apenas é lembrado pelas iniciativas feitas há mais de uma década em diversos estados brasileiros. Odacir Klein, presidente-executivo da União Brasileira do Biodiesel (Ubrabio), destaca um "detalhe" inquestionável quando o debate são os investimentos maciços feitos nessa época de plantio. "A produção da safra de verão de milho deverá chegar a 37 milhões de toneladas. Já a da segunda safra chegará a 27 milhões. Temos um consumo interno de 50 milhões de toneladas de milho. Ora, sem a segunda safra, teríamos uma carência de 13 milhões de toneladas do cereal", pontua. 

Klein ainda reforça que a segunda safra de milho é fundamental para o abastecimento do país e para que sejam criados excedentes exportáveis. Somente em Mato Grosso, principal estado produtor, a produção chegará a 9,4 milhões de toneladas, ultrapassando o Paraná, no patamar de nove milhões de toneladas. Mesmo antes de semeado, o milho segunda safra, que começará a ser plantado após a colheita da soja no estado de Mato Grosso, tem expressiva parcela já vendida. Entre os principais mercados consumidores, destaque para Arábia Saudita, Colômbia e Coreia do Sul.

Nesse cenário, entre as previsões apontadas por Odacir, estão o aumento da demanda por proteínas animais, o crescimento do volume de milho para etanol, aumentos expressivos da produtividade e três situações que deverão ocorrer no mercado internacional: a China aumentará as importações, a Argentina buscará agregar valor ao cereal, transformando o milho em combustível e em rações para aves, e os Estados Unidos passarão por um cenário competitivo entre o milho destinado para etanol e a quantidade do cereal que deverá ser destinada às exportações.

LIDERANÇA NA PRODUÇÃO

Parte dessa conjuntura será comum ao Brasil, na visão do produtor rural e prefeito do município de Lucas do Rio Verde (MT) Marino José Franz. "O Mato Grosso deverá agregar valor ao produto. Temos um potencial muito grande, mas temos também que diversificar nossa produção, viabilizando o segmento de carnes. Essa será a principal maneira de viabilizarmos nosso principal negócio, a agricultura", disse.

E em uma situação semelhante aos Estados Unidos, maiores produtores de etanol a partir do milho, Marino destaca que a falta de logística de Mato Grosso levará o Estado a investir nessa possibilidade. "Reproduzo aqui uma afirmação do ex-governador, Blairo Maggi: iremos produzir etanol a partir do milho", destacou.

O prefeito apresentou em painel sobre o escoamento da produção do milho segunda safra dados que colocarão o estado de Mato Grosso na liderança da produção agrícola. "Mato Grosso é a única região viável para o plantio da segunda safra em escala no mundo", afirmou. A projeção de Marino Franz é que a produção de milho ultrapasse as 16 milhões de toneladas em 2014, com mais 10 milhões de hectares de área sendo incorporados à agricultura provenientes de pastagens. "Não haverá estrada para suportar essa produção. É sete vezes mais em conta transportar frango do que milho. Por isso, o setor de carnes viabilizará nosso principal negócio", antecipou.

Diante desse contexto, o prefeito reforçou o crescimento do município proporcionado pela agricultura. De R$ 106 mil em 1996, o PIB subiu para R$ 1,3 milhão em 2011. "O próprio Brasil não conhece o potencial do nosso estado. Ou temos opções concretas para melhorias na logística de transporte, com a viabilização de ferrovias para nos ligar ao Pacífico, ou teremos realmente que investir em consumo", frisou. Hoje, o custo do frete de grãos até o porto mais próximo representa mais de 45% do valor obtido pela venda de uma tonelada de grãos. Já em Ponta Grossa, no Paraná, esse valor representa apenas 8%.

Mais informações: www.seminariomilhosafrinha.com.br.

FONTE

Embrapa Milho e Sorgo
Guilherme Viana - Jornalista

A terra preta dos índios e o efeito estufa

Solo produzido por índios da Amazônia
pode frear efeito estufa



Um grupo de agrônomos liderados pelo professor José Marques Júnior, da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias (FCAV), Câmpus de Jaboticabal, da Universidade Estadual Paulista (Unesp) descobriu oito sítios de terra preta de índio ou terra preta arqueológica no Arco do Desmatamento, uma região da Amazônia Legal que vai do Acre ao Maranhão.



Segundo o pesquisador, a terra preta de índio, também conhecida por carbono biológico (ou biochar, em inglês) é obtida a partir da queima de biomassa - resíduos de vegetais e animais - pelo método da pirólise, isto é, combustão em elevada temperatura sem oxigênio. A descoberta foi feita durante a coleta de amostras de solo para um estudo de aptidão agrícola no sul do Estado do Amazonas, pelo Grupo de Pesquisa Caracterização do Solo para Fins de Manejo Específico, coordenado por Marques Jr. (leia ao final da matéria).

Marques Jr. explica que esse produto reúne significativos teores de nutrientes de plantas, principalmente cálcio, fósforo e carbono orgânico. Por ser formada na ausência do oxigênio, essa cadeia química torna-se difícil de ser decomposta por microrganismos, razão pela qual o carbono apresenta elevada estabilidade no solo. Essa permanência do carbono orgânico na terra resulta na diminuição de pelo menos 25% do impacto da atividade agrícola no lançamento de gás carbônico (CO2) para a atmosfera.

O biochar tem também um mecanismo que mantém a fertilidade do solo. "Em linguagem comum, o carbono estável libera nutrientes em proporções adequadas no decorrer das atividades agrícolas", esclarece o pesquisador. E mais: análises baseadas no Sistema Brasileiro de Classificação de Solos (SiBCS) da Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias (Embrapa) indicaram tratar-se de terra resistente à compactação, ou seja, com boa estrutura para manter culturas variadas.

HERANÇA INDÍGENA

Não se sabe ao certo a origem do biochar. Uma explicação possível é a de que ele teria se formado com o costume dos povos pré-colombianos de atear fogo aos seus resíduos orgânicos, inclusive utensílios cerâmicos.

O material encontrado em seis áreas particulares nos arredores do município de Humaitá e duas no km 180 da Transamazônica, em Santo Antonio do Matopi, representa "uma dádiva do índio amazonense à agricultura, por seu potencial para combater a infertilidade do solo da região", de acordo com Marques. Para ele, o achado pode levar à compreensão da gênese e evolução desse produto, por meio do estudo de seus atributos físicos, químicos e mineralógicos.

O professor diz que o biochar desperta o interesse mundial pelo benefício que pode trazer para a agricultura, a partir do domínio de sua técnica. Uma possibilidade seria sua produção em larga escala como fertilizante e para sequestro de carbono e outros gases do efeito estufa, retendo-os assim no solo. "Não deixa de ser curioso encontrar nesse legado ancestral a inovação para as práticas agrícolas contemporâneas", conclui Marques Jr.

Uso racional do solo

O estudo de aptidão agrícola no Arco do Desmatamento é uma parceria entre a Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias(FCAV), Câmpus de Jaboticabal, e a Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Câmpus de Humaitá, para identificar o impacto no solo da conversão da floresta em fazendas para exploração agropecuária. O projeto tem financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) e deve ser concluído em 2012.

A equipe espera fornecer informações para auxiliar no planejamento estratégico de uso do solo dos campos naturais na região Amazônica.

O agrônomo José Marques Jr., professor do Departamento de Solos e Adubos da FCAV, coordena o Grupo de Pesquisa Caracterização do Solo para Fins de Manejo Específico (CSME) - www.csme.com.br -, que congrega pesquisadores de diversos departamentos da unidade. Atuando em diferentes áreas do conhecimento, o grupo busca desenvolver e divulgar novas tecnologias que atendam requisitos do desenvolvimento sustentável.

Para isso faz uso da multidisciplinaridade para encontrar soluções práticas com base em ciência básica. Pela sua atuação no setor, em agosto, Marques Jr. foi indicado diretor da Regional São Paulo daSociedade Brasileira de Ciência do Solo (SBCS).

FONTE

Genira Chagas - Jornalist